Covid-19: Plano de Contingência para a Logística

Confira os principais pontos discutidos por líderes de grandes empresas durante live promovida pela Ciclo Marketing

 

 

No dia 25 de março, a Ciclo Marketing, empresa especializada na realização de eventos em Logística e Supply Chain, promoveu uma conferência online que reuniu importantes lideranças para falar sobre os Planos de Contingência em Operações Logísticas. Os participantes relataram o que eles têm vivenciado durante a crise provocada pela pandemia da Covid-19 e as medidas que estão tomando em suas empresas para manter o abastecimento à população brasileira.

 

Participaram da conferência Marcelo Arantes, Diretor Executivo de Supply do Grupo Pão de Açúcar, Jonas Laurindvicius, Diretor de Logística do Grupo DPSP, Leandro Bassoi, VP de Operações Logísticas do Mercado Livre na América Latina, Omar Passos, Diretor Comercial da Penske Logistics, e André Prado, CEO da BBM Logística e conselheiro da Abralog. Isabel Cardeal, Presidente da Ciclo Marketing, foi a mediadora da discussão.

 

Ao longo da conferência, os líderes trataram de questões importantes dentro do contexto da logística, que continua em atividade durante este período e está lidando com uma série de desafios para manter o abastecimento. Neste texto, vamos compartilhar alguns pontos interessantes que foram discutidos, assim como as estratégias adotadas para driblar as dificuldades enfrentadas.

 

 

Gestão de Pessoas

 

covid-19 logísticaUm tema recorrente na fala dos participantes foi a preocupação das empresas com seu pessoal. Os líderes ressaltaram que há um trabalho interno muito forte para manter a segurança de todos os funcionários, assim como de informá-los, conscientizá-los e mobilizá-los. Jonas Laurindvicius afirmou que o Grupo DPSP tem trabalhado muito com o provimento de informações fidedignas, claras e aceitas pela classe médica, com recomendações básicas de distanciamento e, sobretudo, com a oferta de treinamento para que os funcionários da companhia possam entender a importância do papel que estão desempenhando. Conforme Jonas destacou, o fornecimento de fármacos é uma questão clara de sobrevivência neste período de confinamento.

 

Leandro Bassoi disse que o Mercado Livre estabeleceu um protocolo de segurança que vai desde o momento em que o empregado entra no fretado até quando ele volta para a sua casa . “A gente sabe que em algum momento pode haver um caso de Covid-19 em uma de nossas operações ou com um parente de algum colaborador. Por isso, nossa preocupação é ter uma traceabilidade de cada colaborador e com quem ele trabalhou nesse período”, explicou. Para isso, a empresa criou células de trabalho de 6 a 8 pessoas para que se possa saber quem vai ter que ser afastado da operação quando houver algum caso confirmado da doença.

 

“Nos casos em que a gente não consegue fazer isso, preferimos pecar pelo excesso de cuidados na questão de higiene, para que as pessoas cumpram o protocolo correto no dia a dia”, completou. Leandro destacou ainda que a empresa tem um protocolo de questionários que são enviados diariamente aos funcionários via WhatsApp. São encaminhadas três perguntas que facilitam a identificação de funcionários que tenham proximidade com algum caso de Covid-19. Além disso, diariamente é aferida a temperatura do colaborador a fim de se antecipar nos cuidados e evitar que ele chegue ao estágio de tosse e espirro, podendo contaminar outros.

 

Para o VP de Operações Logísticas do Mercado Livre, a comunicação é essencial. “A maneira como comunicamos e nos aproximamos, tratando a todos como pessoas, como seres humanos, é essencial para garantir que estão sendo bem cuidados e para passar a informações de forma correta”, disse.

 

Omar Passos, da Penske Logistics, disse que a empresa também tem priorizado a comunicação. “Nós temos trabalhado a comunicação de maneira muito forte no sentido de passar uma informação correta, de mitigar o pânico, de dar uma instrução adequada às pessoas para que elas tenham um psicológico bastante equilibrado para poder lidar com esta situação e não impactar a operação”, explicou. Ainda de acordo com o Diretor Comercial da companhia, a empresa tem reforçado bastante a questão da higienização e uso dos equipamentos de segurança, além de ter importado termômetros para fazer o monitoramento de toda a equipe, desde o momento em que o funcionário pega o fretado.

 

André Prado relatou que um dos principais desafios da BBM Logística em relação ao pessoal é o fato de a empresa trabalhar na área do transporte rodoviário e, nesse caso, boa parte dos funcionários não ficam “debaixo do mesmo teto”, circulando por vários locais e regiões. Para garantir a segurança de todos, a BBM tem investido em uma boa comunicação e no ajuste de regras. “Já tínhamos os 10 mandamentos da empresa, que são as regras que os funcionários devem cumprir, e, agora, nós alteramos essa norma adaptando os mandamentos do combate ao coronavírus”, explicou.

 

De acordo com André, a empresa teve de um a dois dias para treinar praticamente toda a equipe nesses mandamentos. “Também tivemos que assumir a responsabilidade de cumprir isso porque o primeiro e mais importante ponto é a preservação da vida. Antes de a gente falar de qualquer forma de faturamento, de qualquer forma de receita ou lucro, a gente tem que preservar a vida dos funcionários e o nosso plano foca muito nisso”, disse. Para o CEO da BBM, trata-se de um grande desafio, mas a companhia tem conseguido cumprir da melhor forma possível.

 

Previsibilidade da demanda

 

As variações de demanda e a falta de previsibilidade neste momento de crise também foram assuntos apresentados por todos os participantes da conferência. Marcelo Arantes, Diretor Executivo de Supply do Grupo Pão de Açúcar, relata que a demanda aumentou 300%, contudo, com uma brusca variação em relação aos itens mais procurados. “A elasticidade e a variação da demanda de produtos estão completamente diferentes do que qualquer padrão normal que estamos acostumados”, ressaltou.

 

Segundo Marcelo, as categorias estão se comportando de maneiras diferentes. As bebidas, que antes estavam entre os itens mais vendidos, estão com menor procura. Já a demanda por produtos de limpeza aumentou de quatro a cinco vezes. “Você prever como vai ser esse perfil de saída é extremamente importante na cadeia do varejo, porque a gente trabalha com uma cobertura relativamente curta e com um lead time entre indústrias e PDV muito longo”, disse Marcelo, destacando a complexidade em lidar com a falta de previsibilidade do momento atual.

 

Com o aumento da demanda em 300%, a capacidade de repor as lojas foi desafiada três vezes mais, aponta o Diretor de Supply do Grupo Pão de Açúcar. “E a dificuldade de administrar isso aconteceu junto ao nosso receio de ter absenteísmo na mão de obra da operação”, disse. Entretanto, Marcelo afirmou que até o momento a empresa não teve problemas com o pessoal, e justifica pela campanha realizada internamente para evitar abstenções.

 

Outro problema que Marcelo temia que ocorresse era como as indústrias e os fornecedores iriam reagir a esse aumento da demanda. “A resposta nos surpreendeu, porque nós conseguimos manter o nível de abastecimento e até aumentar em algumas categorias. Nós achamos que teríamos problemas com as categorias de proteínas, mas com o fechamento de restaurantes e lanchonetes, a produção das indústrias que iam para eles foi direcionada ao varejo”, explicou.

 

E um último desafio apontado por Marcelo foi o de gerir a quantidade enorme de caminhões chegando no centro de distribuição sem gerar uma aglomeração. “Passamos a usar pátios pulmões para garantir que na hora que o caminhão chegasse ao CD ele seguisse para ser descarregado”, detalhou. Em suma, o Diretor de Supply do Grupo Pão de Açúcar resumiu que os grandes desafios atuais têm sido planejar e entender o que está acontecendo, uma vez que as variações têm acontecido de forma muito rápida. Basicamente, a companhia precisa desenvolver estratégias para duplicar a sua capacidade tendo uma estrutura relativamente fixa e para cadenciar o fluxo entre indústria, CD e lojas. Segundo Marcelo, até o momento, empresa tem conseguido superar bem e os resultados têm sido muito positivos. “Em março devemos ter um crescimento nas lojas muito surpreendente”, disse.

 

Quanto ao segmento de fármacos, outro que também tem lidado com o aumento da demanda, Jonas Laurindvicius, Diretor de Logística do Grupo DPSP, ressaltou que o que têm ajudado muito a companhia neste momento é o plano de contingência. De acordo com Jonas, quando a empresa teve que administrar a crise gerada pelo incêndio em um dos seus CDs mais importantes, no Rio de Janeiro, foi elaborado um plano dessa natureza. É por isso que ele diz que o Grupo é “pós-graduado” nessas situações, explicando que plano de contingência da companhia é baseado em três pilares principais: sistema de informação, análise e informação, e governança.

 

Em relação ao sistema de informação, o qual ajuda a entender as previsões e variações de demanda, Jonas alertou que quando a empresa enfrenta uma crise, ela não pode ficar à mercê de um sistema de previsões de curva de SKU. “O nosso plano de contingência é desligar todas essas ferramentas. E nós temos nesse plano a análise e a informação que é o mais importante, o segundo pilar. Trata-se de um sistema de informação que visa identificar os produtos que realmente estão relacionados a essa contingência”, detalhou. Como exemplo, Jonas citou a análise das demandas atuais, como a demanda por vitaminas, paracetamol, dipirona e termômetros.

 

Para o Diretor de Logística do Grupo DPSP, a utilização do sistema de previsão padrão em um momento de crise pode se tornar um grande problema, uma vez que produtos mais vendidos podem ficar em falta, não sendo repostos a tempo, enquanto itens menos vendidos podem se acumular nas prateleiras. Portanto, “é preciso criar um sistema de informação que seja condizente com o período de crise e compartilhá-lo entre os pontos de entrega e os pontos de recebimento”, defendeu.

 

Leandro, do Mercado Livre, afirmou que que essa variação na demanda é ainda mais complexa para a companhia por ser bastante diferente entre o Brasil, Argentina e México, alguns dos países em que a companhia atua. Para lidar com esse desafio, a empresa tem investido em uma conexão forte com a equipe comercial (que está em home office), de modo que o produto certo chegue aos seus CDs para atender os clientes em suas necessidades atuais. Também é utilizado o crossdocking em algumas operações. E, para enfrentar bem todas as dificuldades e mitigar os riscos, a companhia tem buscado se comunicar com grandes players de e-commerce, entendendo como eles estão se comportando diante da crise.

 

Omar Passos ressaltou que na Penske Logistics as preocupações não são diferentes. “Nós, numa posição de prestadores de serviços logísticos que atua em segmentos diversos, sendo eles críticos ou não críticos neste momento, temos como uma das maiores preocupações os impactos em termos de volume, mudança ou falta de previsibilidade”, destacou. Ele afirmou que planejamento diário que a empresa tem feito está sendo crucial, já que as demandas dos clientes atendidos têm se comportado de maneiras distintas.

 

Para lidar com essas variações, nos Estados Unidos a companhia está fazendo o redirecionamento da frota – dos segmentos com queda de volume para os que estão com alta demanda, como de saúde e higiene pessoal. “No Brasil, nós disponibilizamos áreas adicionais em algumas regiões das nossas operações para suportar eventuais necessidades de armazenagem extra dos nossos clientes. Também estamos fazendo um redirecionamento de mão de obra para poder suportar esse pico de demanda que alguns segmentos vão praticar daqui para frente”, explicou.

 

Ainda segundo Omar, a empresa tem buscado estar próxima tanto dos seus funcionários, de modo a apoiá-los e motivá-los, como também de seus clientes, para entender as suas necessidades e atuar como um facilitador neste momento de dificuldade.

 

André, da BBM Logística, salientou que a empresa tem atuado na mesma linha. “Nosso entendimento é o de que a gente tem que atender 100% das operações. O nosso cliente nos contratou para a prestação de um serviço e nós não podemos ser a restrição para a cadeia logística dele”. Para isso, as equipes da empresa têm trabalhado ao máximo, tentando a cada dia entender como a demanda está se comportando e buscando reagir a isso da melhor maneira possível.

 

 

Diálogo com os governos

 

Os participantes falaram também da falta de coordenação entre as decisões dos governos municipais, estaduais e federal. Como cada esfera tem tomado uma decisão específica em relação ao funcionamento da economia e ao tráfego nas cidades e estados, isso tem dificultado a coordenação logística, especialmente para as empresas que atendem vários estados e regiões, ou mesmo vários países, como é o caso do Mercado Livre.

 

Leandro Bassoi explica que a empresa tem atuado de forma muito direta, seja com entidades ou com os governos para garantir que haja um entendimento do que representa o comércio eletrônico e o transporte de carga neste momento no Brasil. O setor institucional da companhia tem contatado também órgãos que atuam diretamente nas ruas, como as polícias federal e militar, órgãos de vigilância locais, dentre outros. Isso porque no marketplace há muitos vendedores pequenos e médios. E eles estão com dificuldade de operar, assim como muitos de seus funcionários não estão presentes à sua operação ou loja devido às restrições de locomoção.

 

“Temos observado uma descoordenação muito maior no Brasil do que nos outros países em que atuamos. Nossa empresa tem que tomar decisões de gestão e de operação que vai depender do que o governador ou o prefeito daquele local decidiu fazer, e aí você não tem uma forma central de atacar a questão do coronavírus de maneira coordenada. Então, nós temos o institucional trabalhando como nunca pra fazer um pouco dessa coordenação e falar uma linguagem única com todos os estados e com a federação”, destacou Leandro.

 

Omar Passos, da Penke Logistics, relatou que o comitê de crise que foi criado vem monitorando diariamente todas as iniciativas que os poderes executivos em todas as suas instâncias estão adotando. “Às vezes, a gente se depara com uma série de conflitos em termos de determinações e de política de restrição, e isso pra quem atua em todo o território brasileiro é bastante complicado, porque uma medida de um estado pode impactar totalmente a operação de outro estado”, explicou. De acordo com Omar, a empresa tem monitorado todas as medidas para tentar, de alguma forma, antecipar ou encontrar uma alternativa para preservar ao máximo os impactos na cadeia de seus clientes.

 

André Prado acrescentou que a restrição física dos estados e municípios tem afetado bastante o negócio da BBM Logística. “A gente está trabalhando nesse sentido para ver qual a melhor solução dentro da legislação vigente para que mantenhamos as nossas atividades”, afirmou. Enquanto membro da Abralog, André disse que a entidade já tem buscado um diálogo com o Ministro Tarcísio Freitas, de modo a conseguir um apoio neste momento importante.

 

“Nós nos antecipamos e começamos a trabalhar na semana passada e uma coisa que percebemos muito rápido é que as entidades públicas não tinham entendido um pouco a complexidade da cadeia logística. Porque você só deixar passar produto acabado não faz sentido nenhum, já que tem toda uma cadeia inbound que abastece esse produto acabado. Então, quando você não abastece, você tem o efeito chicote e desabastece a cadeia toda, e nós vamos sofrer muito com isso ainda”, afirmou André.

 

Para o CEO da BBM Logística e conselheiro da Abralog, esses problemas estão só começando. “Vamos passar meses e meses com efeitos disso na cadeia. Vamos ter variações de demanda muito grande porque a cadeia logística é mais complexa do que se imaginava. O interessante é que na semana passada a Abralog já identificou isso e começou a fazer a interlocução com o governo e o Ministro Tarcísio tem colaborado bastante. Sem a logística andando, o Brasil não anda”, defendeu.

 

Ainda na opinião de André Prado, um dos grandes aprendizados nesta crise é o de que a cadeia de suprimentos “precisa trabalhar de uma forma mais colaborativa do que competitiva”.

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Plano de contingência e comitê de crise

 

Um aspecto muito destacado na fala de Jonas é o de que ter um plano de contingência faz toda a diferença em momentos de crise. Isso ficou bem claro quando o Grupo DPSP enfrentou as consequências do incêndio em um de seus principais CDs e, graças ao plano de contingência, a companhia conseguiu manejar todos os efeitos da ocorrência.

 

Em relação a esse plano, Jonas ressaltou a importância de se avaliar todos os aspectos relacionados à logística, incluindo a questão tributária. “Depois do incêndio, nossa malha logística foi refeita em dois anos e hoje nós temos uma capacidade produtiva de contingência. Quando você tem a interrupção de um CD, você cobre com a distribuição de outro CD e você tem isso mapeado no Brasil, que passa pelo planejamento, recebimento, distribuição, armazenagem e também pelos impactos tributários. Os tributos na área de fármaco são gigantes. Quando se interrompe a cadeia produtiva de determinado estado e transfere a distribuição para outro, existe a possibilidade de acabar completamente com a sua margem, não só falando de custos logísticos, como de questões tributárias”, explicou. Por isso, antes de qualquer mudança, é preciso analisar todos os possíveis cenários.

 

Jonas falou ainda sobre a governança, salientando que nos momentos de crise é preciso definir quem vai fazer a distribuição das pessoas nessa governança, o que precisa ser feito e como vai ser feito.

 

Nas empresas dos participantes da conferência, já foram montados comitês de gestão da crise. E o que a maioria tem feito é buscar um benchmarking junto a outros países que já enfrentaram o pico da crise ou estão enfrentando neste momento. De acordo com Jonas, o Grupo DPSP está em diálogo constante com os distribuidores de fármacos da Itália. O Mercado Livre tem conversado com os grandes players de e-commerce da China e Coréia do Sul. A Penske Logistics está buscando referências com a sua unidade nos Estados Unidos, e assim as demais têm feito. Para Omar, esse contato com outros mercados que estão em um estágio mais avançado da crise ajuda a antecipar processos ou etapas para reduzir os impactos na operação.

 

Por fim, uma frase de Leandro Bassoi, do Mercado Livre, chamou a atenção: “tenho certeza de que a gente vai sair mais forte disso porque muitos aprendizados importantes conquistados neste momento poderão ser levados adiante”. E André completou: “eu acho que só com muita ajuda e colaboração a gente vai sair dessa muito melhor do que a gente entrou”.

 

Para Omar, fica a lição a toda a cadeia de suprimentos de que é preciso uma organização efetiva para cobrar o governo de uma forma mais estruturada. “Que a gente aprenda com a falta de coordenação do governo e aproveite essa oportunidade para, depois que a tempestade passar, cobrarmos ações que nos permitam em uma situação futura entrar ou sair mais fortalecidos.”

 

Para assistir à videoconferência na íntegra, clique aqui. A discussão também foi publicada em formato de podcast. O áudio pode ser acessado aqui.

 

* Parabenizamos a Ciclo Marketing pela iniciativa e agradecemos à empresa e aos participantes da conferência pela autorização de compartilhamento do conteúdo.

 

* Saiba mais sobre os impactos da crise na operação intralogística e como proteger o seu negócio.  



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